Onde, Como e Quando...

Foi em 1989. No ar, os últimos fôlegos do que foi um período de extrema inquietude no panorama pop-rock nacional. A década de 80 nos deu Barão Vermelho, Capital Inicial, Ira, e Titãs, só pra falar de alguns. Tudo bem. Nada comparável à década de 70. Seria impossível igualar aquele caldeirão sonoro. Numa parada onde se encontram Novos Baianos, Casa das Máquinas e Tutti Frutti é sacanagem pensar em concorrência. Mas o fato é que, do seu modo, os caras de 80 chegaram e deram seu recado. E berraram tão alto que seu grito ecoou nos tímpanos de uma garotada enfiada neste Alto Sertão Paraibano. Não era bem uma banda. Parecia mais um bando desordenado de fãs desesperados para repetir a dose proposta por seus ídolos, mas sem sair de casa. O negócio era fazer barulho. E valia tudo. A regra era se virar com o que se tinha à mão. Violão era “fichinha”. Se achava em qualquer esquina. Então alguém apareceu com um teclado. O resto ia de regional mesmo: chocalhos, ganzás e tambores. Mas o melhor mesmo é dar nome aos bois. Vamos a eles: Elinaldo “Naldinho” Braga, Gilberto Álvares, Junior Terra, Elizomar Filho, Ítalo, Jonhson e Eugênio “Batera” Nóbrega.

Era um inferno. O Zeppellin era cultuado ao lado de Raul. Os Beatles mereciam uma vela todos os dias. Os Rolling Stones ainda eram “satisfaction” na época. Tudo na base do “pega o que fizer zuada e bate”.

Mas banda que é banda tem de ter um nome. E alguém saiu com “Páginas Amarelas”. Levando em consideração o número de componentes, o nome era mais que apropriado: dava pra fazer uma lista telefônica. E como Páginas Amarelas os meninos participaram do seu primeiro festival da canção defendendo a primeira do que seria uma longa e profícua série de composições de Gilberto Álvares. Aqui, o orgulho de compor e apresentar um trabalho próprio começa a atentar o grupo. Os covers se tornam mais escassos. E aí a tragédia. Alguém chega esbaforido com a notícia: leu em algum lugar algo sobre uma banda de nome “Páginas Amarelas”. Todo mundo amarelou... Ora, nossa “Páginas Amarelas” não podia ser. Nessa época o grupo era conhecido apenas a nível de quarteirão e muito mais pelo barulho que fazia nos ensaios. O fato é que já existia uma banda de nome Páginas Amarelas no cenário nacional. Crise. Parte dos componentes se propõe iniciar um retiro eterno no Tibet... A outra parte, mais radical, propõe um suicídio coletivo de protesto... Ainda bem que era só frescurinha cênica. De estalo veio a solução para o problema: nada de viagens alucinantes ou de harakiris desesperados. Era mais fácil, barato e menos doloroso mudar o nome da banda. A turma do harakiri sugere “Plasma”. Eis o novo nome do “bicho”.

A formação é quase a mesma do Páginas Amarelas. Falando em formação, se você chegou até aqui e pretende continuar a ler é bom se munir de papel e lápis pra poder acompanhar as formações da banda. É um entra e sai danado o que leva a se pensar que quase toda a população da cidade passou por aqui um dia... O que é muito bom, diga-se de passagem.

Formação do Plasma: Eugênio “Batera” Nóbrega, Gilberto Álvares, Elizomar Filho, Elinaldo “Naldinho” Braga, Kleber e Rocha “Rochedo”. Posteriormente sai Elizomar Filho e Kleber. Entra o Kiko.

Por essa época a coisa se sofisticava. Já se sabia, por exemplo, que contrabaixo tinha quatro cordas e que uma guitarra não era um violão com anorexia ligado a uma tomada. É por estes tempos que o desenho básico da banda começa a se definir. Naldinho larga o ganzá (para o mais profundo desespero de um ardoroso público) e assume o contrabaixo que, antes, ficava com o Gilberto. O Gilberto, por seu tempo, corre pra guitarra encetando um intenso “affaire”que perdura até hoje.

Por volta de 1992 entra em cena a “caveira”. A banda assume sua simbologia (o crânio estilizado) e o novo nome: Apocalipse. É a fase clássica. A formação é: Gilberto Álvares (guitarra), Elinaldo “Naldinho” Braga (contrabaixo), Fabiano (bateria), Yonnas (guitarra), Rocha “Rochedo” (voz).

Com este perfil a banda participa de diversos festivais, rodando a Paraíba e circunvizinhanças em shows impagáveis por suas “presepadas”. Se tivéssemos espaço pra contar tudo... É uma fase extremamente criativa. Todo o repertório é próprio. Os covers são definitivamente banidos. Somente quando em vez a banda fazia a caridade de tocar algo de fora.

Esta fase ainda assiste a rápida passagem de Humberto Júnior e Faísca pela banda. E para não faltar à regra de extrema circulação de nomes (as mudanças dos vocalistas do Black Sabbath não chegam nem perto), cai fora o Yonnas e o Rocha “Rochedo”. O Apocalipse torna-se um “power trio”. Guitarra, baixo e bateria. Pela ordem: Gilberto, Naldinho e Fabiano. E é com essa formação que se grava, em 2003, o primeiro CD. “A Trágica Lógica do Absurdo“ tem um sentido histórico. A despeito da existência de títulos bem mais recentes no repertório, a banda opta por registrar a fase inicial e grava antigas composições, atualizando algumas letras. O estilo é mantido: heavy metal tradicional. Foi assim desde a adoção do nome Apocalipse. E por falar em nome, no momento de registrar o Cd veio a outra bomba : Já existia uma banda (ou melhor, duas) com o nome Apocalipse. Exige-se mudança, diz a lei. Tudo bem. Os meninos metem um “Conspiração” antes do “Apocalipse’ só por “agá”... Fica “Conspiração Apocalipse”... Oficialmente, pois os fãs (e creia-me, irreverência a parte, são numerosos) não abrem mão do velho e doce Apocalipse... sozinho... sem nada antes ou depois...

O fato é que logo após a gravação do Cd, a banda mais uma nova formação. (affff...) Com a saída de Fabiano, assume a bateria Diego “Faísca” Júnior. Não confundir com o Faísca anterior. Esse é outro. É que nestes sertões de Meu Deus temos um estoque ilimitado de “Faíscas”. No mesmo momento chega ao grupo Paccelli Gurgel (guitarra). Das antigas, permanece Gilberto e Naldinho. Esta formação marca uma nova fase tímbrica e de estilo da banda. Ao hard rock tradicional, marcado pela predominância das distorções a partir dos overdrives, soma-se uma sonoridade mais universal, tendendo ao progressivo e a world music. Por fim, o Faisca deixa a banda no Carnaval de 2005. A banda permanece sem baterista até 2007 quando o João Neto é convidado. Estudando o repertório no momento, o João ainda não debutou no Apocal. Hibernando, a banda especula sobre novos rumos. Novas viagens se definem... Mas conspira-se ainda no melhor estilo apocalíptico: adrenalina e rock’n’roll continuam a ser a tônica, para alegria e êxtase dos inquietos e inconformados... Longa Vida ao Apocalipse!

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